Teste respiratório para SIBO e IMO

como funciona, o que investiga e como se preparar

11/2/20254 min read

Se você já ouviu falar em SIBO ou IMO e está considerando investigar, é bem provável que uma pergunta esteja passando pela sua cabeça agora: "como é feito esse exame, dói, é complicado?"

A resposta é tranquilizadora: o teste respiratório é um exame simples, seguro, não invasivo e pode ser feito sem desconforto físico, basta soprar em um tubo em intervalos regulares. Ele é hoje a principal ferramenta para investigar o supercrescimento bacteriano do intestino delgado (SIBO) e o supercrescimento de organismos produtores de metano (IMO), justamente os dois quadros que costumam passar despercebidos em exames de rotina como endoscopia e colonoscopia.

Neste post, explico como o exame funciona, o que ele detecta, como se preparar e como interpretar o resultado.

O princípio por trás do exame

O teste respiratório se baseia em um princípio interessante: as células do corpo humano não produzem gases como hidrogênio e metano, quem produz são os microrganismos do intestino, ao fermentar determinados carboidratos.

Assim, quando o paciente ingere uma substância específica (glicose ou lactulose) e o exame detecta aumento desses gases no ar expirado, isso indica que microrganismos estão fermentando esse substrato no intestino delgado, uma região que, em condições normais, deveria ter pouca colonização bacteriana.

SIBO x IMO: por que o exame investiga os dois

Aqui está um ponto que costuma gerar dúvida: SIBO e IMO não são a mesma coisa, e o teste respiratório é capaz de diferenciar os dois quadros porque mede gases diferentes.

  • SIBO (supercrescimento bacteriano do intestino delgado): identificado principalmente pelo aumento de hidrogênio. Está mais associado a sintomas como diarreia, inchaço e dor abdominal.

  • IMO (supercrescimento de organismos produtores de metano): identificado pelo aumento de metano. Está mais associado à constipação, já que o metano tem efeito direto de desacelerar o trânsito intestinal.

É por isso que um teste respiratório completo mede os dois gases simultaneamente — hidrogênio e metano — e não apenas um. Um paciente pode ter predomínio de um, do outro, ou dos dois combinados (quadro misto), e isso muda a abordagem terapêutica.

Como se preparar para o exame

Alguns cuidados antes do teste são essenciais para não comprometer o resultado:

  • Evitar antibióticos por pelo menos 4 semanas antes do exame;

  • Não ingerir alimentos fermentáveis (feijão, repolho, cebola, alho, entre outros) no dia anterior;

  • Jejum de 12 horas antes do exame.

Como o exame é feito, passo a passo

  1. O paciente ingere uma solução com glicose (75g) ou lactulose (10g) diluída em água.

  2. Em seguida, sopra em um tubo coletor a intervalos de 15 minutos.

  3. As amostras de ar são analisadas ao longo de aproximadamente 2 horas, medindo a concentração de hidrogênio e metano em cada amostra.

Não há necessidade de sedação, agulhas ou qualquer procedimento invasivo — é, na prática, apenas soprar em intervalos regulares durante o período do exame.

Como interpretar o resultado

  • Para SIBO, o teste é considerado positivo quando há aumento de pelo menos 20 partes por milhão (ppm) de hidrogênio em até 90 minutos após a ingestão da substância.

  • Para IMO, considera-se positivo quando os níveis de metano atingem 10 ppm ou mais em qualquer momento do exame.

Glicose ou lactulose: qual a diferença?

  • Com glicose: mais específico, pois a glicose é absorvida logo no início do intestino delgado — mas pode não detectar alterações nas porções mais distais (finais) do intestino.

  • Com lactulose: permite avaliar todo o trajeto do intestino delgado, mas pode gerar falsos positivos, já que a lactulose também é fermentada pelas bactérias do intestino grosso (cólon).

A escolha entre um substrato e outro depende do quadro clínico de cada paciente — por isso a solicitação e interpretação do exame devem ser feitas por um médico com experiência específica no tema.

Acompanho pessoalmente cada exame, do início ao fim

Sou eu mesma que realizo o teste respiratório no meu consultório, da medida do sopro basal até a última amostra. Para mim, isso faz parte do cuidado: o exame não é só uma sequência de números no papel — é também o paciente relatando como está se sentindo a cada intervalo, pequenas variações no padrão de subida dos gases ao longo do tempo, confirmações de resultados suspeitos, detalhes que fazem mais sentido quando observados ao vivo do que só no resultado final.

Esse acompanhamento direto me dá uma leitura mais completa do caso e ajuda a definir o diagnóstico com mais precisão para a realidade de cada paciente.

Por que a interpretação cuidadosa importa tanto

O teste não é perfeito — como qualquer exame, pode haver falsos positivos ou falsos negativos. O resultado precisa ser sempre avaliado em conjunto com o quadro clínico do paciente, o histórico de sintomas e, muitas vezes, com outros exames complementares. Um resultado positivo isolado, sem correlação clínica, pode levar a tratamentos desnecessários — e um resultado negativo não descarta automaticamente a possibilidade de disbiose intestinal, especialmente em casos mais complexos.

Já fez o exame em outro lugar e ficou com dúvidas sobre o resultado?

Isso é mais comum do que parece: muitos pacientes chegam ao consultório com o teste respiratório já feito, mas sem uma orientação clara sobre o que aquele resultado significa na prática ou qual o próximo passo do tratamento. Se for o seu caso, também posso ajudar na interpretação e na definição da conduta.

Quer investigar SIBO ou IMO, ou já tem um resultado e precisa de orientação sobre o tratamento? Agende sua consulta comigo. Será um prazer lhe atender!

Referências:

  1. ACG Clinical Guideline: Small Intestinal Bacterial Overgrowth. Pimentel M, Saad RJ, Long MD, Rao SSC. The American Journal of Gastroenterology. 2020;115(2):165-178. doi:10.14309/ajg.0000000000000501.

  2. Hydrogen and Methane-Based Breath Testing in Gastrointestinal Disorders: The North American Consensus. Rezaie A, Buresi M, Lembo A, et al. The American Journal of Gastroenterology. 2017;112(5):775-784. doi:10.1038/ajg.2017.46.

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