Fiz endoscopia e colonoscopia e deu tudo normal, mas continuo com sintomas. O que pode ser?

Exames normais não significam que está tudo bem. Entenda por que SIBO e disbiose intestinal muitas vezes não aparecem em exames de rotina.

7/10/20263 min read

Você fez endoscopia, colonoscopia., ultrassom, exames de sangue, talvez até uma tomografia. O laudo veio limpo, sem achados relevantes. E, ainda assim, o inchaço continua depois de quase toda refeição, as dores abdominais aparecem sem aviso e o hábito intestinal segue instável.

Se isso soa familiar, a primeira coisa que preciso te dizer é: isso não está na sua cabeça, e exames normais não significam que está tudo bem.

Essa é uma das situações mais frustrantes e mais comuns que vejo no consultório. Pacientes que já passaram por vários médicos, já fizeram exames caros e invasivos, e saem de cada consulta com a mesma frase: "está tudo normal". Isso costuma gerar uma mistura de alívio (não é nada grave) e desespero (então por que eu continuo sofrendo?).

Por que os exames de rotina podem não detectar o problema?

Endoscopia e colonoscopia são exames estruturais. Eles são excelentes para enxergar lesões físicas: inflamações, pólipos, úlceras, tumores. É por isso que são exames essenciais e não devem ser pulados, eles descartam causas graves, e isso já é uma informação valiosa.

Mas existe uma categoria inteira de problemas que não aparece de forma visível na mucosa do intestino: os distúrbios funcionais e de microbiota. É aqui que entram condições como o SIBO (supercrescimento bacteriano do intestino delgado) e o IMO (supercrescimento metanogênico intestinal).

Nesses casos, o intestino pode estar anatomicamente perfeito, sem inflamação, sem lesão visível, e mesmo assim funcionar mal, porque o desequilíbrio está na quantidade e no tipo de microrganismos que habitam o intestino delgado, uma região que normalmente tem pouca bactéria e que, quando ocupada em excesso, causa fermentação exagerada de alimentos, gases, inchaço e alteração do hábito intestinal.

Ou seja: a endoscopia e a colonoscopia olham a "estrutura da casa". O SIBO e o IMO são um problema de "quem mora dentro dela".

O exame que realmente investiga esse tipo de problema

Para investigar SIBO e IMO, o exame indicado não é estrutural, é funcional: o teste respiratório de hidrogênio e metano. Ele mede os gases produzidos pela fermentação bacteriana no intestino delgado através da respiração, depois da ingestão de um substrato específico (geralmente lactulose ou glicose).

É um exame não invasivo, mas ainda pouco pedido na prática médica geral, muitas vezes porque o quadro do paciente é encaixado, de forma genérica, em "síndrome do intestino irritável" sem investigar a causa por trás dela.

Sintomas que costumam ser confundidos com síndrome do intestino irritável

Boa parte dos pacientes que chega até esse ponto já recebeu, em algum momento, o diagnóstico de síndrome do intestino irritável (SII). E o problema é que SII é, na prática, um diagnóstico de exclusão — um "guarda-chuva" usado quando os sintomas batem com o padrão, mas nenhuma causa estrutural é encontrada.

O que os estudos recentes vem mostrando é que uma parte relevante dos pacientes rotulados como SII, na verdade, têm SIBO ou IMO como causa não identificada. Os sintomas se sobrepõem bastante:

  • Inchaço abdominal, especialmente após as refeições

  • Gases em excesso

  • Dor ou desconforto abdominal recorrente

  • Alteração do hábito intestinal (diarreia, constipação ou alternância entre os dois)

  • Sensação de má digestão mesmo com alimentação "normal"

A diferença prática é que, quando existe SIBO ou IMO por trás do quadro, tratar apenas os sintomas da SII (dieta restritiva, antiespasmódicos) tende a aliviar por um tempo, mas o problema volta, porque a causa de fundo não foi endereçada.

O caminho até o diagnóstico correto

Se você já fez os exames estruturais e eles vieram normais, mas os sintomas persistem, o próximo passo não é repetir a mesma bateria de exames, é investigar por um ângulo diferente:

  1. Histórico clínico detalhado, olhando padrão dos sintomas, relação com alimentação, uso prévio de antibióticos, cirurgias abdominais e outras condições associadas (como diabetes, hipotireoidismo ou doenças do tecido conjuntivo, que podem predispor a SIBO).

  2. Teste respiratório para investigar SIBO e IMO especificamente.

  3. Tratamento direcionado à causa, não apenas ao sintoma — o que muda completamente o prognóstico a longo prazo.

Você não precisa continuar convivendo com isso

Passar de médico em médico ouvindo "está tudo normal" é desgastante, e é natural que isso gere a sensação de que talvez o problema não tenha solução. Mas exames normais numa investigação estrutural significam apenas isso: que aquele tipo específico de exame não encontrou a causa — não que a causa não exista.

Se você se identificou com esse relato, o próximo passo é uma avaliação especializada para investigar SIBO/IMO e disbiose intestinal com o exame certo para o seu caso.

Agende sua consulta e vamos investigar a causa real dos seus sintomas.

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