Entendendo o SIBO

(Supercrescimento Bacteriano do Intestino Delgado)

11/2/20253 min read

O que é SIBO?

O SIBO é uma condição em que há um aumento anormal da quantidade de bactérias no intestino delgado, uma região que normalmente deveria ter bem poucas delas.
Quando isso acontece, essas bactérias começam a fermentar os alimentos — especialmente os carboidratos — e produzem gases, o que leva a sintomas como barriga estufada, excesso de gases, dor abdominal, diarreia e, em casos mais graves, dificuldade de absorver nutrientes e vitaminas.

Normalmente, a maior parte das bactérias do nosso intestino vive no cólon (a parte final do intestino). No SIBO, essas bactérias “migram” para o intestino delgado, onde não deveriam estar em grande número. É essa alteração que causa os sintomas.

Como é feito o diagnóstico?

  • Geralmente é feito por testes respiratórios com glicose ou lactulose, que são exames simples, não invasivos e muito usados na prática clínica.

  • Outra opção seria por meio de uma coleta direta do líquido do intestino delgado, que é analisado em laboratório para medir a quantidade de bactérias. Mas o aspirado e a cultura do intestino delgado não são realizados na prática clínica para o diagnóstico do SIBO principalmente devido à sua natureza invasiva, alto custo, dificuldades técnicas e risco de contaminação. O procedimento exige endoscopia alta para obtenção do aspirado, o que implica sedação e riscos inerentes ao exame, além de exigir técnicas rigorosas para evitar contaminação por flora oral ou gástrica durante a coleta, o que pode comprometer a acurácia do resultado

O que pode causar o SIBO?

Geralmente não surge sozinho. Ele costuma acontecer como consequência de outras doenças ou condições que alteram o funcionamento normal do intestino.

Entre as causas e fatores mais comuns estão:

  • Alterações anatômicas do intestino, como cirurgias anteriores (ex: gastrojejunostomia, bypass gástrico tipo Roux-en-Y), retirada de partes do intestino (como o íleo ou a válvula ileocecal), fístulas ou divertículos.

  • Problemas de movimentação intestinal — o chamado “trânsito lento” — que podem ocorrer em doenças como diabetes, esclerodermia, gastroparesia e outras condições neuromusculares.

  • Uso prolongado de certos medicamentos, como opioides (para dor), anticolinérgicos (usados em alguns problemas gastrointestinais e urinários), antidiarreicos e remédios que reduzem o ácido do estômago, como os inibidores de bomba de prótons (omeprazol, pantoprazol, etc.).

  • Doenças que afetam a digestão ou absorção, como insuficiência pancreática, cirrose hepática, doença celíaca, doença de Crohn, colite ulcerativa e pancreatite crônica.

  • Condições que enfraquecem o sistema imunológico, como deficiência de IgA ou imunodeficiência comum variável.

  • Doenças endócrinas ou metabólicas, como hipotireoidismo e diabetes mellitus.

  • Envelhecimento, que pode reduzir o ritmo e a coordenação dos movimentos intestinais.

Essas alterações favorecem o acúmulo de bactérias no intestino delgado, um local que normalmente deveria ter poucos micro-organismos.

Como é feito o tratamento?

O tratamento geralmente envolve o uso de antibióticos específicos para controlar o excesso de bactérias, além de corrigir deficiências nutricionais e tratar as causas que favoreceram o problema.

Referências:

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