Endometriose e barriga inchada: quando investigar SIBO e IMO?

Entenda como alterações da microbiota intestinal podem contribuir para gases, distensão abdominal e desconforto digestivo em mulheres com endometriose.

6/17/20264 min read

A endometriose é uma doença que afeta milhões de mulheres em todo o mundo e ocorre quando um tecido semelhante ao revestimento interno do útero cresce fora dele, causando inflamação, dor e diversos outros sintomas. Embora seja frequentemente associada às cólicas intensas e à infertilidade, muitas pessoas com endometriose também convivem com sintomas digestivos importantes, como inchaço abdominal, gases, constipação, diarreia e desconforto após as refeições.

Nos últimos anos, pesquisadores passaram a investigar uma possível conexão entre a endometriose e alterações da microbiota intestinal, incluindo condições conhecidas como SIBO e IMO.

O que são SIBO e IMO?

A sigla SIBO vem do inglês Small Intestinal Bacterial Overgrowth, que significa "supercrescimento bacteriano no intestino delgado". Nessa condição, bactérias que normalmente estariam em menor quantidade passam a se multiplicar excessivamente nessa região do intestino.

Já o IMO (Intestinal Methanogen Overgrowth) ocorre quando há crescimento excessivo de microrganismos produtores de metano, chamados arqueias.

Esses desequilíbrios podem provocar sintomas como:

  • Distensão abdominal;

  • Excesso de gases;

  • Sensação de estômago estufado;

  • Dor abdominal;

  • Alterações do hábito intestinal;

  • Má absorção de nutrientes;

  • Fadiga.

Por que a endometriose pode estar relacionada à SIBO e ao IMO?

A ciência ainda está investigando essa relação, mas algumas hipóteses já são bastante plausíveis.

1. Inflamação crônica

A endometriose é uma doença inflamatória. A presença constante de processos inflamatórios na cavidade abdominal e na pelve pode influenciar o funcionamento do intestino e favorecer alterações na microbiota intestinal.

Por outro lado, um desequilíbrio intestinal também pode aumentar a produção de substâncias inflamatórias, criando um ciclo que perpetua os sintomas.

2. Alterações da motilidade intestinal

O intestino possui movimentos naturais que ajudam a transportar os alimentos e controlar o crescimento dos microrganismos. Quando esses movimentos ficam mais lentos, aumenta o risco de proliferação excessiva de bactérias e arqueias.

Mulheres com endometriose podem apresentar alterações da motilidade intestinal devido à inflamação, aderências pélvicas ou até mesmo ao acometimento intestinal da própria doença.

3. Mudanças na microbiota intestinal

Estudos recentes mostram que pessoas com endometriose frequentemente apresentam diferenças na composição das bactérias intestinais quando comparadas à população sem a doença.

Essa alteração, conhecida como disbiose, pode contribuir tanto para sintomas gastrointestinais quanto para processos inflamatórios relacionados à endometriose.

4. Influência sobre os hormônios

A microbiota intestinal participa do metabolismo do estrogênio, hormônio que desempenha papel central na endometriose.

Algumas bactérias intestinais possuem enzimas capazes de aumentar a recirculação do estrogênio no organismo. Quando ocorre desequilíbrio da microbiota, isso pode favorecer níveis mais elevados desse hormônio, potencialmente influenciando a progressão da doença.

O que dizem os estudos?

Pesquisas recentes têm encontrado uma frequência maior de SIBO e IMO em mulheres com endometriose quando comparadas a grupos sem a doença.

Além disso, sintomas como constipação, distensão abdominal e desconforto gastrointestinal aparecem com frequência significativamente maior nesse grupo.

Esses achados reforçam a importância de não atribuir automaticamente todos os sintomas digestivos à endometriose. Em muitos casos, pode existir uma condição intestinal associada que merece investigação e tratamento específico.

O famoso "endo belly" pode ter relação com SIBO?

Muitas mulheres com endometriose relatam episódios de aumento importante do volume abdominal, popularmente conhecidos como endo belly.

Embora esse fenômeno possa ter múltiplas causas, incluindo inflamação, retenção de líquidos e sensibilidade visceral, algumas especialistas acreditam que a presença concomitante de SIBO ou IMO pode contribuir para o excesso de gases e para a distensão abdominal observada em parte dessas pacientes.

Por isso, quando o inchaço é intenso, recorrente ou desproporcional, pode ser interessante discutir a possibilidade de investigação gastrointestinal com o médico responsável.

E o SIFO?

Outra condição que vem recebendo atenção é a SIFO (Small Intestinal Fungal Overgrowth), caracterizada pelo crescimento excessivo de fungos no intestino delgado.

Apesar do interesse crescente, atualmente existem poucos estudos avaliando especificamente a relação entre SIFO e endometriose. Por enquanto, a associação permanece uma hipótese baseada em mecanismos semelhantes aos observados na SIBO, como alterações da microbiota, inflamação e mudanças na função imunológica.

Quando procurar avaliação?

Pacientes com endometriose podem se beneficiar de uma investigação adicional quando apresentam:

  • Distensão abdominal frequente;

  • Excesso de gases;

  • Constipação persistente;

  • Diarreia recorrente;

  • Desconforto após as refeições;

  • Sensação constante de estufamento;

  • Deficiências nutricionais sem causa aparente.

A avaliação deve ser individualizada e realizada por profissionais qualificados, considerando que os sintomas digestivos podem ter diversas origens.

Conclusão

A relação entre endometriose e alterações intestinais como SIBO e IMO é um campo de pesquisa em rápida expansão. As evidências atuais sugerem que existe uma conexão importante entre a saúde intestinal, a inflamação e o equilíbrio hormonal envolvidos na endometriose.

Embora ainda existam muitas perguntas sem resposta, compreender essa interação pode ajudar pacientes e profissionais de saúde a enxergar a doença de forma mais ampla, promovendo abordagens mais integradas e personalizadas para o cuidado.

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